O planeta Eris

Mirella Faur

Em 5 de janeiro de 2005 a equipe do astrônomo americano Michael Brown identificou um misterioso corpo celeste, nomeado UB-313. Organizações científicas do mundo inteiro declararam que UB-313 seria o muito falado e esperado décimo planeta do nosso sistema solar. Por ser um planeta enigmático e supostamente o décimo, os astrônomos usaram a letra X, “planeta X”, (correspondendo também ao numeral romano dez) para batizá-lo como Xena, o nome de uma heroína guerreira de um seriado da TV.

No entanto, a sua denominação oficial dependeria da aprovação da União Astronômica Internacional (IAU), que iria se reunir em agosto de 2006 e definir o termo “planeta”. Para surpresa, descontentamento e revolta de muitos (cientistas e leigos) a nova classificação não apenas rejeitou o UB-313 como planeta, mas também excluiu Plutão. Ambos foram incluídos em uma nova categoria de “planetas anões”, junto com Ceres, o maior dos asteróides, descoberto em 1801, que tinha sido inicialmente considerado planeta, posteriormente rebaixado como um componente do cinturão de asteróides existente entre Marte e Júpiter.

Após a confusa e controvertida decisão da IAU, Michael Brown propôs o nome de Eris para o novo planeta anão e Dysnomia para a sua Lua. Na mitologia grega Eris é a deusa das disputas e combates que desperta ciúmes, raiva, agressão e competição entre os homens, como foi demonstrado pelo tumulto e os ânimos feridos na reunião de IAU em Praga. Dysnomia era a sua filha, deusa da discórdia, regente dos assuntos ilegais, amorais e imorais.

Do ponto de vista astronômico Eris é o corpo celeste do sistema solar mais distante do Sol, três vezes mais longínquo do que Plutão, com uma órbita ainda mais excêntrica do que a dele. Por isso, enquanto Plutão leva 248 anos para percorrer sua órbita, Eris demora 556 anos, fato que dificulta o estudo astrológico da suas características. Em 1928, Eris entrou no signo de Áries, atualmente no grau 20, passando para o grau 21 em 2008. Os aspectos que Eris faz com um planeta nos mapas coletivos ou individuais dura alguns anos, prolongando assim seus efeitos.

Para compreender esses efeitos precisa ser conhecido o seu mito. No panteão grego existiam duas deusas com o mesmo nome, mas com personalidades diferentes, podendo ser vistas como aspectos de uma só deusa. Uma delas era filha de Zeus e Hera, irmã de Ares (Marte), temida e detestada por todos por ser cruel e sanguinária, incitando guerras e carnificinas. Nos períodos de paz provocava discórdias e conflitos entre amigos, familiares e casais. A outra apresentação de Eris era como filha de Nyx, (a noite) e Chronos (o tempo), sendo a regente da competição correta e sadia, honrada pelos atletas antes dos jogos olímpicos.

Com o passar do tempo e à medida que as histórias eram reinterpretadas, a separação entre as duas deusas tornou-se mais tênue, as suas características se mesclaram resultando um só arquétipo. Assim, a deusa Eris ficou conhecida pelos seus traços agressivos e seus filhos, os Kakodaimones, como espíritos malignos e portadores de desgraça. Eles foram libertados com a abertura da caixa de Pandora, nela permanecendo apenas a filha luminosa, Elpis, a esperança, que é encontrada apenas por aqueles que nela acreditam e a procuram.

Na astrologia Eris representa o principio da percepção ativa da desordem, do conflito e da confusão. No mapa natal seus efeitos podem ser vistos como um amálgama das influências de Marte, Mercúrio e Netuno, em relação principalmente à sétima casa, dos relacionamentos.