De onde vinham?

Clarissa Vargas(*)

Era uma menina franzina, tez clara, olhos escuros como dois buracos negros que encaravam a vida campestre.

Um dia, a menina viu-se aprontar. Botaram-lhe colares, brincos, vestido que outrora estava a bordar.
Deram-lhe flores que mais pareciam cachos de uvas para segurar, cobriram-lhe o rosto para que, misteriosa, o amado a visse chegar.

Foi. Caminhou na direção do vento, com passos ainda incertos. Ela não sorria. Pressentia a morte, pois sabia, como já lhe haviam contado, que naquela noite, o vestido branco iria sangrar.
Foi chegando perto daquele outro, desconhecido. Tirou-lhe o véu, mas a menina fez pior que um rugido. Olhou-o (OU olhou-a) fielmente, com tudo que pode, como todo seu coração. Desejava ser livre, e como, a menina! Cresceu naquele instante, assustou o moço elegante que desconcertado disse não.

A menina correu para a floresta, perto do campo, gotas de chuva varriam-lhe a testa...! Correu como quem presencia a si mesma durante um ato sagrado. De onde vinham aqueles olhos, menina? Da terra, de outro mundo, pouco visitado...

(*) Clarissa Vargas – Grupo Girassol

De onde vinham?

Lindo e sagrado o instante da revelação!
Lindo texto!

Bjos