O enigma dos círculos ingleses


Mirella Faur

A chegada do verão na Inglaterra e a proximidade das colheitas prenunciam novas formações misteriosas nos campos de trigo, milho e canola. Denominados de crop circles, os complexos círculos das plantações representam um fenômeno moderno tão intrigante quanto inexplicável.

No século XVII, uma lenda inglesa atribuía a sua autoria a um ser sobrenatural chamado demônio ceifador. Desde aquela época, as estranhas configurações surgem nos campos plantados, para desespero dos fazendeiros, temerosos por suas colheitas. Apenas a partir da década de 80 do século passado que seu aumento e diversidade passaram a atrair a atenção do público, de pesquisadores e autoridades.

Nas últimas duas décadas, foram registradas mais de dez mil aparições no mundo inteiro, mas a maior incidência (em torno de 600 anualmente) e complexidade de desenhos são encontradas no sul da Inglaterra, principalmente na proximidade dos sítios megalíticos de Avebury e Stonehenge.

Pesquisas recentes revelaram que sua existência é muito antiga, comprovada por inscrições e desenhos rupestres, textos sagrados, lendas, mitos e relatos folclóricos, mas sua origem permanece envolta em mistério e atribuída a diversas causas, desde as sobrenaturais (extra ou intraterrestres, parapsicológicas, seres elementais) até climáticas, meteorológicas ou geológicas. Por mais que céticos e embusteiros afirmem ser obras forjadas por seres humanos (bem ou mal intencionados), o progressivo aumento anual – na quantidade e complexidade das figuras – torna claro e evidente que os enigmáticos desenhos jamais poderiam ser feitos por mãos e recursos humanos. A cada nova e intrigante figura que surge nos campos, aumenta a certeza de que existe uma forma de inteligência sobre-humana e uma energia desconhecida como causas que produzem esse fantástico fenômeno.

A evidência dessa afirmação vem da própria formação: o vortex energético que dobra os caules das plantas não os amassa, quebra ou queima, simplesmente os inclina em movimentos ondulantes, circulares ou espiralados, fazendo com que eles continuem se desenvolvendo normalmente. Os caules chegam a ser entortados até 90º, em um ponto entre 20 e 80% da sua altura total. Algumas vezes, plantas situadas lado a lado são inclinadas em direções opostas, sem que algumas sequer sejam quebradas (o que acontece ao se tentar desentortá-las). Análises físico-químicas mostram um aumento de radiação que altera o compasso da bússola e um enriquecimento do solo em hidrogênio, como se tivesse recebido uma forte descarga elétrica. Os radiestesistas confirmam a presença de intricados padrões energéticos dentro e ao redor dos círculos, além de anomalias magnéticas.

Cerca de 90% dos círculos genuínos surgem quase sempre nas mesmas áreas, perto de sítios sagrados, muitas vezes sendo precedidos ou acompanhados de sons e luzes misteriosas, bolas de fogo ou aparições de OVNIS. Nenhuma pesquisa – convencional ou não – tem encontrado algo concreto sobre sua origem, apenas a presença de uma energia desconhecida, que produz mudanças a nível genético nas plantas e nas sementes. As pessoas que permanecem dentro das formações relatam alterações em todos os níveis – espiritual, mental, energético, emocional e físico –, representadas por experiências transcendentais, expansão de consciência, projeção astral, regressão espontânea, clarividência, emoções diversas e curas.

No início, as formações eram simples circunferências, mas com o passar dos anos se tornaram duplas, triplas, quíntuplas, figuras anelares, triangulares, ovais, espiraladas. Ultimamente têm aparecido pictogramas e estrelas fractais com simbolismos complexos, geométricos ou místicos, associados com diversos caminhos espirituais, conceitos filosóficos ou científicos (astronômicos, físicos, matemáticos). A simetria e as dimensões das figuras são extraordinárias, alguns desenhos medem centenas de metros e não se repetem. Os motivos parecem ser específicos para cada ano, como se fossem capítulos de um livro, aparecendo repentinamente, sem que seja percebida qualquer pista sobre quem os criou ou como são criados. Inúmeros grupos, organizações ou curiosos que os estudam acampam nos meses de verão nas áreas comuns aos fenômenos e se surpreendem com os desenhos formados ao seu lado durante a noite, sem terem nada percebido.

Sem questionar ou adotar qualquer das teorias existentes, podemos considerar os crop circles como vórtices sagrados, que encantam nossa mente com sua beleza e complexa criatividade, que nos fazem refletir sobre seu significado oculto e nos sensibilizam em relação a dimensões sutis e energias desconhecidas, se usarmos suas formas e simbolismos como mandalas em nossas meditações.

Ao participar, em 1991, de um seminário sobre crop cirles em Avebury e, posteriormente, nas oportunidades em que pude meditar em alguns desses círculos nos trigais ingleses, percebi a energia que pulsava no meu corpo, avivava minha mente e tocava meu coração como sendo a voz da Mãe Terra, procurando chamar a atenção de seus filhos por meio de belas, fascinantes e enigmáticas mandalas.