Ritual Beltane – 30 abril de 2020

Irmãs, a idéia deste ritual é nos conectar com os fogos sagrados de Beltane e com a magia do trançar as fitas. Além disso, iremos usar esta linda energia criativa para emanar paz, saúde e amor para nossa humanidade neste período de pandemia. Aho!

Thaís Barata

“I am earth. I am scent. I am leaf. I am bud.

I am bursting. I am black soil. I am roots.

I am sweat. I am in the moving dance. I am the melody and the beat. I am the drum.

I am breath, rising fast in the heat.

I am voice. I am song.

I am smoke”



Quando: 30 de abril – sexta – feira, 20h

Como: De nossos lares, individualmente, nos conectaremos à irmandade e com a Grande Mãe

O que você precisará:

* 1 vela verde,

* 1 maçã,

* 1 pacote de cravos,

* 1 graveto,

* 1 metro de fita em 3 cores (branca, vermelha e a 3a cor – a que você gostaria que representasse suas intenções),

* 1 flor para usar nos cabelos,

* suco de uva.

* Seu tambor ou chocalho.

(Não saia de casa para buscar qualquer desses elementos, use o que tiver em casa. O mais importante é sua segurança e a intenção
#ficaemcasa)

Preparação

Busque um lugar tranquilo em tua casa, mas que tenha espaço para você se movimentar.

Prepare um pequeno altar para você:

• Ar (leste): Incenso – canela, rosa vermelha, cedro. Athame

• Fogo (sul): Vela verde

• Água (oeste): Uma taça com suco de uva

• Terra (norte): Flores, Quartzo Rosa ou Transparente

• Centro: Imagem da Deusa (sua madrinha ou uma deusa celta). Seu caldeirão.

Como sugestão: podemos usar a tecnologia para nos apoiar nesse ritual. Grave a meditação antes do ritual para que no momento mágico de estarmos todas juntas, você vivencie a conexão sem a preocupação de ler o texto.



Ritual

1. Purificação

Com seu altar montado, respire fundo por 3 vezes. Deixe a energia de todos os elementos presentes no altar te purificar, siga os elementos, mas principalmente, conecte-se com a sua energia interior, a energia criativa.


2. O Céu da Noite (gratidão Lea!!)

Na noite de Beltane a Lua estará em Leão em sextil com Vênus em Gêmeos, o que revela a importância de nesse momento reforçar os relacionamentos que lhe apreciam, que lhe fazem bem, que reconhecem a sua importância. O Sol está em conjunção com Urano e Mercúrio no signo de Touro, e a mensagem é, dentro desse novo contexto, entrar em contato com seus valores mais preciosos e a partir daí perceber o seu real valor e o que você pode oferecer ao mundo nesse momento. Júpiter e Plutão continuam em conjunção no signo de Capricórnio facilitando a limpeza e a transformação das estruturas, derrubando o que não
serve mais e, para a construção de um futuro melhor a dica é assumir suas responsabilidades.


3. Beltane por Mirella Faur

CERIMÔNIAS DO MÊS DE MAIO

texto de Mirella Faur


No hemisfério Norte os antigos povos europeus celebravam no mês de maio o desabrochar e desenvolvimento da Natureza, as roupagens de folhas e flores da Mãe Terra, o tempo quente, os instintos de acasalamento dos animais e os impulsos amorosos humanos, simbolizados no casamento sagrado do Deus Verde da Vegetação com a Donzela da Terra.

Enquanto os gregos enfeitavam um galho de oliveira ou louro com fitas coloridas e frutos (chamado eirisione) levando-o em procissão e guardando-o como símbolo de fertilidade até o ano seguinte, os romanos homenageavam as deusas Flora e Maia com alegres encontros entre moças e rapazes, dançando enfeitados com guirlandas de flores. Flora personificava o florescimento de toda a Natureza e regia a fertilidade e concepção; Maia era a Deusa da energia vital e da sexualidade. Os ritos de fertilidade para atrair a abundância da terra e da água ficaram conhecidos como Floralia e Fontinalia. Com o passar do tempo, estes festivais florais e as bênçãos da terra, das fontes e das mulheres se transformaram em orgias e a licenciosidade e liberdade sexual passaram a ser atributos específicos do mês de maio. Considerado o “mês de mel” das uniões livres e da liberação temporária dos laços matrimoniais, no mês de maio não se realizavam casamentos formais até a igreja católica declará-lo mês de Maria e das noivas, para mudar os antigos costumes.

Na Idade Média era costume damas e cavalheiros passearam nos bosques, liderados pela Rainha de Maio cavalgando uma égua branca e o seu parceiro, um corcel negro. Eles personificavam A Senhora e O Senhor, Freyja e Frey, cuja união trazia as bênçãos da fertilização mágica da Natureza, vegetal, animal e humana. O Rei perpetuava a crença antiga da conquista da Rainha da Floresta Mágica (reminiscência do culto de Diana) no combate com o rei anterior, simbolizando o fim do inverno, substituído pelo verão. O Mastro de Maio a cujo redor os casais dançavam, representava o falo do Deus Verde fertilizando a terra e as mulheres. Estes antigos costumes e sua celebração nos festivais de Beltane (celta) e Walpurgis (nórdico) foram perseguidos e proibidos pela igreja cristã que os declarou” encontros de bruxas com o demônio”.

Nos países celtas Beltane era originariamente um festival pastoral, transformado em festas com danças ao redor do mastro e fogueiras acesas nas colinas. As pessoas dançavam em roda, no sentido horário, para receber sorte e proteção, pulavam sobre as fogueiras e passeavam nos campos com tochas acesas para a purificação. Havia combates entre representantes dos poderes da luz e escuridão e sacrifícios, no inicio autênticos, depois encenando a morte do velho rei do inverno. No dia seguinte, galhos verdes eram trazidos dos bosques e colocados na frente das casas para proteção. O mastro enfeitado com flores e fitas era levado por jovens - vestidos de verde e com guirlandas de folhagens - em procissão pelas ruas, para simbolizar a nova vida e compartilhar os poderes criativos.

Na Escandinávia, o antigo calendário celebrava nas nove noites entre 22 e 30 de abril a autoimolação do deus Odin para alcançar a sabedoria mágica das runas. Walpurgis Nacht (30 de abril) era a última noite da metade escura do ano começado no Samhain (31 de outubro), o final da “Caça Selvagem” com livre trânsito de trolls e espíritos maléficos. Usavam-se fogueiras para espantá-los e purificar pessoas e animais. No dia seguinte seguiam as alegres celebrações de Majfest, uma data repleta de luz, alegria, danças e cantos ao redor do mastro enfeitado com guirlandas e fitas. Eram escolhidos e coroados o Rei e a Rainha entre os jovens mais bonitos, sendo unidas suas mãos com uma guirlanda de flores ou trança de fitas. Esta cerimônia deu origem aos
atuais rituais de Handfasting, celebrando uniões dos adeptos de Wicca, neo-paganismo e eco-feminismo. Por não conseguir erradicar as antigas crenças e costumes pagãos a igreja cristã instituiu a comemoração de uma desconhecida freira elevada à condição de santa – Walburga – cuja história é uma compilação da lenda de uma antiga deusa saxã, com o mesmo nome, comemorada no primeiro dia de maio, devido aos seus poderes renovadores e fertilizadores da Natureza.


4. Abertura dos portais

• Leste – Ar: “Eu saúdo os guardiões do portal do Leste e evoco os poderes do elemento ar. Traga-me sabedoria e paz para a
renovação dos meus pensamentos.”

• Sul – Fogo: “Eu saúdo os guardiões do portal do Sul e evoco os poderes do elemento fogo. Que o fogo possa transmutar
nossa energia negativa e nos preencher com coragem e criatividade.”

• Oeste – Água: “Eu saúdo os guardiões do portal do Oeste e evoco os poderes do elemento água. Que a agua, presente em
nossos sangues e fluidos, possam percorrer nosso corpo harmonizando nossas células com paz e harmonia.“

• Norte – Terra: “Eu saúdo os guardiões do portal do Norte e evoco os poderemos do elemento terra. Que a terra seja a nossa
segurança e nos dê sustentação para que possamos enraizar nossos sonhos e desejos.”

• Centro – “Invoco a presença da Deusa e do Deus, nesta noite unidos em prol do todo. Que o casal sagrado possa se unir e que seu amor possa significar o renascimento dos nossos sonhos e desejos, que possam simbolizar a nossa saúde e fertilidade, que possamos transformar nossas uniões e fortalecer nossos sentimentos de unidade com todos ao nosso redor.

• Circulo de proteção: Visualize um campo e que suavemente essas árvores se fecham em círculo de proteção, formado tanto por flores, arbustos e todo tipo de vegetação. E que a única coisa que você conseguirá ver é o céu estrelado acima de você. Respire e confie.



5. Meditação/prática mágica

Coloque na sua frente: a maçã, os cravos, o graveto e as fitas.

Feche os olhos e respire profundamente por três vezes.

Escolha uma música. Sugestão: Huron “Beltane” Fire Dance – Loreena McKenitt (você encontra no Spotify, no Youtube...).

Volte ao seu círculo sagrado. Dentro dele, protegida. À sua esquerda, um portal se abre, com uma luz forte saindo de dentro dele. Você confia e entra nesse portal.... ele é longo, como se fosse um túnel de árvores.

De repente, você começa a subir uma colina, não muito alta, mas com muitas flores amarelas no seu caminho. Você pega uma flor e coloca no seu cabelo.

Em cima desta colina tem uma torre pequena. Você entra nela. No mesmo momento em que você entra, uma energia muito forte te preenche e você é levada para um outro mundo, uma outra dimensão, onde não há tempo, onde tudo é possível. O espaço muda de forma e você se vê dentro de um círculo de pedras. Nela, outras mulheres e homens dançam ao redor de uma fogueira. Todos vestem roupas nas cores vermelho e verde. E usam guirlandas de flores ou de folhas nos cabelos. A alegria é contagiante e você se sente feliz de compartilhar toda essa magia com essas pessoas. Talvez você reconheça alguns deles, são pessoas que fazem parte da sua caminhada espiritual, neste ou em outros níveis.

Eles começam uma dança, ao redor de um mastro, com muitas fitas, de todas as cores. A dança é contagiante, você sente seu corpo sendo preenchido por essa energia de celebração. Entrelaçando sonhos e desejos, num mastro que contém muitas outras histórias e muitos outros desejos, de incontáveis celebrações de Beltane.

Depois de um tempo, a dança se encerra. As fitas são amarradas no mastro e novos desejos foram feitos e materializados. Você está plena e feliz.

Todos se sentam ao redor da fogueira e compartilham maçãs. Cada uma segura uma maçã e agradece pelas dádivas deste encontro. Junto com a maçã, vem um símbolo mágico. Não se esqueça deste símbolo.

Mas, chegou a hora de se despedir. Antes, podemos pular a fogueira de Beltane, como tradicionalmente se é feito, quando as chamas já estão apagando.

Você agradece por este momento mágico, com amigos tão queridos e especiais e começa o caminho de volta. A torre já está na sua frente, assim como o caminho de flores amarelas. Você vê o portal de arbustos e entra nele. Chega no seu lugar sagrado, iluminado por estrelas. E quando estiver pronta, abra seus olhos. Está novamente no aqui e agora.


Pegue seu graveto e as fitas. Começa a trançar as fitas no graveto, como se ele representasse o mastro que sempre foi trançado nesta noite. É neste momento em que você faz as suas orações de intenções, pedindo paz, saúde, proteção... o que o seu coração sentir e desejar. Quando terminar, dê três nós mágicos.

Agora, pegue a sua maçã. Use os cravos para desenhar o símbolo mágico que você recebeu na meditação.

Depois que tiver terminado, coloque a sua maçã no altar e deixe nele por 7 dias. Depois, a coloque em um local em que ela possa se tornar uma com a natureza (um vaso de plantas, embaixo de uma árvore). E fortaleça os seus pedidos, feitos no mastro de Beltane. Este símbolo representa a realização dos seus desejos. Lembre-se dele com frequência para reforçar o seu pedido.


6. Dança

Coloque novamente a música da Loreena e deixe a dança fluir, solte seu corpo, se movimente. Mexa os braços, os quadris.

Que seu corpo possa sentir o desejo fluir por ele, como uma explosão de sensações e magia.

Ao final, agradeça!


7. Encerramento

Agradeça aos guardiões de todos os portais pela proteção durante o ritual e despeça-se dos elementos. Agradeça a proteção das árvores e de toda a natureza. Você vê que elas vão diminuindo, mas a energia do ritual vai se expandindo, emanando amor e paz para todo o nosso planeta.


Gratidão!


HO!!!